Um resíduo comum no dia a dia dos brasileiros se transformou em uma solução premiada internacionalmente. Estudantes de Engenharia de Alimentos da Faculdade Engenheiro Salvador Arena (FESA) conquistaram o 1º lugar no prêmio ZwickRoell Inspires ao desenvolverem um biocomposto de borra de café. A instituição, que é 100% gratuita e mantida pela Fundação Salvador Arena, destacou-se na 3ª edição da competição alemã. O projeto vencedor propõe a união do resíduo orgânico com o PLA, um polímero de origem renovável, promovendo a sustentabilidade e a inovação na ciência dos materiais.



Biocomposto de borra de café vence prêmio de inovação
Como funciona o biocomposto de borra de café
A iniciativa acadêmica surgiu com o objetivo de reduzir o uso de polímeros tradicionais e agregar valor a um material abundante e frequentemente descartado. Durante a pesquisa, a equipe produziu amostras do biocomposto de borra de café em diferentes concentrações, testando proporções de 5%, 10% e 15% do resíduo.
Os alunos realizaram ensaios mecânicos rigorosos para avaliar propriedades como tensão e deformação, comparando os resultados com o uso exclusivo do PLA. Esses testes, conduzidos em equipamentos de alta precisão para caracterização de materiais, comprovaram a viabilidade técnica e o alto desempenho da nova solução.
Aplicações práticas para o biocomposto de borra de café
Diferente de outras pesquisas que destinam o resíduo apenas para a geração de energia ou biocombustíveis, o grupo focou na criação de materiais físicos. O novo composto apresenta grande potencial para a fabricação de embalagens rígidas, utensílios, suportes, vasos, itens decorativos e produtos feitos por impressão 3D.
Para Giovana Roberta Alves, formanda em Engenharia de Alimentos e integrante da equipe, a proposta une inovação e viabilidade. “O objetivo foi mostrar que um resíduo comum, muitas vezes descartado sem aproveitamento, pode ganhar uma nova função a partir da ciência dos materiais”, afirma a estudante.
O projeto contou com a orientação dos professores Nilson Yukihiro Tamashir e Ricardo Trefiglio. Além do rigor científico, a equipe precisou apresentar um protótipo funcional e comprovar que a ideia poderia se tornar um produto com real viabilidade de mercado.
Reconhecimento internacional e foco em acessibilidade
A conquista do 1º lugar no ZwickRoell Inspires representa um marco para a faculdade, que já havia alcançado a segunda colocação na edição de 2025. A competição é promovida por uma empresa alemã líder mundial em máquinas para ensaios estáticos, presente em 56 países, e reconhece projetos que resolvem problemas reais.
Neste ano, o grupo aprimorou a metodologia e apresentou uma proposta que surpreendeu os avaliadores pela funcionalidade e potencial comercial. Um diferencial de destaque durante a apresentação final foi a tradução simultânea em Libras, realizada por um dos próprios integrantes da equipe, evidenciando o compromisso com a inclusão.
A diretora acadêmica da instituição, Luciana Borges, ressalta o impacto da premiação para a comunidade estudantil. “A conquista mostra a capacidade dos nossos alunos de transformar conhecimento em solução. É um resultado que valoriza a formação técnica e científica, mas também evidencia competências como criatividade, colaboração e responsabilidade socioambiental”, conclui.

